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O ano era 1991, mês de
setembro. Autoritarismo, condições de
trabalho aviltantes em alguns setores e um
salário irrisório eram algumas das situações
enfrentadas pela categoria. Neste cenário,
algumas lideranças decidiram fundar um
Sindicato que defendesse os servidores
públicos municipais de Jaraguá do Sul. Foram
feitas duas reuniões no Sindicato dos
Trabalhadores da Construção e do Mobiliário
de Jaraguá do Sul (Epitácio Pessoa, 345),
das quais participaram Ancelmo Schörner,
Luiz César Schörner, Stélio João Rodrigues,
Eliane Marion de Stefani e Maira Miranda,
todos professores. Discutiu-se a idéia da
formação de um sindicato e se este seria
apenas dos professores públicos municipais
ou dos servidores públicos municipais.
Depois de várias conversas com outras
pessoas, decidiu-se pela formação de um
sindicato dos servidores públicos. Outra
reunião foi feita, já no mês de outubro de
1991, e dela participaram as mesmas pessoas
citadas acima e mais dois servidores de
outras áreas, quais sejam, Cláudio Meirer e
Cláudio Shelrost.
Vencida a etapa da
organização inicial, começou-se a organizar
uma assembléia com todos os servidores
públicos com o objetivo de
formar,efetivamente, um sindicato. Essa
assembléia aconteceu no dia 26 de outubro de
1991 e contou com a participação de 43
servidores. Na assembléia foram eleitas as
duas principais linhas de ação do sindicato:
lutar por melhores salários e melhores
condições de trabalho para a categoria, que
na época era composta por aproximadamente
1.300 servidores. Ela aprovou também o
Estatuto do Sindicato e tirou nomes para a
comissão provisória, que teve como
presidente Ancelmo Schörner e vice Francisco
José Ramos, ambos professores. Foram
escolhidos ainda representantes das
Secretarias de Saúde, Obras, Educação e
Administração. Essa comissão provisória
esteve à frente do sindicato até abril do
ano seguinte, quando foi eleita a primeira
diretoria do
Sinsep/Js, composta de 30 membros e
com mandato de 2 anos, e encabeçada por
Luiz César Schörner, José Carlos da Silva,
Ancelmo Schörner, Eliane Marion de Stefani,
Maira Miranda, Mario Moacir Stingher,
Terezinha Jochen e Lúcio E. G. Medeiros.
Sebastião Redivo, Francisco José Ramos,
Angelita de Cássia Burdzak e Renato Stefani,
entre outros, compunham a diretoria e
tiveram participação efetiva na organização
e construção do Sinsep/Js. A primeira
diretoria tomou posse no dia 22 de maio de
1992 e teve como principal problema vencer a
desconfiança dos servidores em relação ao
sindicato, até então visto como lugar de
baderna, greves, brigas, confusões.
As primeiras reuniões da
comissão provisória e também do Sinsep/Js
foram feitas na própria prefeitura, haja
vista que não havia dinheiro para se alugar
uma sala. Com o tempo, e com as filiações,
foi possível alugar uma sala junto ao
Sindicato do Mobiliário, contratar um
funcionário (Lourival Bier), comprar
telefone, um carro e demais equipamentos
necessários para o funcionamento do Sinsep/Js.
Nos primeiros messes de nossa vida, as
contribuições de outros Sindicatos foram
extremamente importantes. O Sindicato do
Mobiliário nos fornecia material e telefone;
o dos Metalúrgicos xérox, telefone e, na
pessoa de Antonio Hélio Pereira, editava os
nossos boletins; o do Vestuário nos ajudava
disponibilizando pessoas para entregar
material; o do Comércio da mesma forma. A
todos somos gratos pelas inestimáveis
contribuições, tanto no sentido material
como de afirmação e reconhecimento. Nesse
sentido, a pessoa de Luiz Carlos Busana, dos
Metalúrgicos, foi imprescindível.
O reconhecimento maior,
contudo, veio dos servidores e da sociedade,
que via (e vê) a conduta histórica de seus
diretores, que sempre primaram pela defesa
dos direitos dos servidores, pelas
discussões democráticas em suas assembléias
e reuniões, no trato com a coisa pública,
pela luta incansável junto aos servidores.
Nesse sentido, é importante que se diga que
muitos servidores, no início de tudo, nem
liam os boletins e os jogavam fora na frente
mesmo de quem o ia entregar. Hoje, ao
contrário, o boletim é visto como um dos
instrumentos que unem diretoria e
servidores.
Ao longo de sua história, o
Sinsep/Js sempre esteve preocupado em discutir com os
servidores o papel e a importância do
sindicato. Em muitos de seus boletins estava
escrito que o sindicato tem um caráter
classista, representando, organizando e
conscientizando os servidores; que ele deve
garantir a democracia da classe trabalhadora
em todos os níveis de organização sindical;
construir um sindicalismo livre, com a
participação de todos os servidores
representados e organizados em seus locais
de trabalho; construir um sindicalismo
independente de partidos políticos e sem
qualquer intervenção do Estado ou de
governantes.
Com esses propósitos, o
Sinsep/JS, nesses 10 anos, lutou pela
organização da categoria, mobilizou os
servidores por melhores salários e condições
de trabalho, assegurou a reintegração de
muitos servidores arbitrariamente demitidos,
lutou pelo pagamento dos adicionais de
insalubridade e periculosidade, evitou a
demissão de aposentados pela prefeitura,
integrou a categoria em toda a microrregião,
desenvolveu luta conjunta com os demais
sindicatos da cidade, defendeu os servidores
em estágio probatório, denunciou a criação
ilegal de cargos comissionados, ajudou a
implantar a Farmácia dos Sindicatos,
esclareceu os servidores sobre legislação,
garantiu assistência jurídica, forçou a
abertura de negociação com a prefeitura, foi
o instrumento de formação política da
categoria, ajudou a implantar a Biblioteca
do Movimento Sindical e Popular, inaugurada
no dia 20 de outubro de 2000 e que funciona
junto ao Sindicato da Construção e do
Mobiliário, a mesma biblioteca que expôs
entre os dias 28 de novembro e 21 de
dezembro uma seleção de fotos da coletânea
Êxodos, de Sebastião Salgado.
No primeiro mês de mandato de
sua primeira diretoria, o Sinsep/Js teve uma
reunião com então prefeito Ivo Konell, onde
ficou acertado reajustes salariais para a
categoria. Essa mesma diretoria discutiu com
a prefeitura o regime a ser adotado pela
prefeitura...
O primeiro boletim do Sinsep/Js
foi editado e distribuído aos servidores em
fevereiro de 1992 e apresentava as
dificuldades pelas quais passou o sindicato
para se afirmar. Tinha, ainda, informações
sobre as eleições de abril e uma nota sobre
a importância da sindicalização, além de
avisar que a partir de maio já havia
expediente no sindicato diariamente das 8 às
10 horas da manhã.
A primeira assembléia do
Sinsep/Js foi realizada no dia 8 de Julho,
no auditório do Sindicato da Construção e do
Mobiliário, e tinha como ponto de pauta
principal a questão da contribuição
financeira de cada sindicalizado, que
naquele momento ficou estabelecida em 0,30%
do salário (esse valor foi alterado para 1%
em maio de 93). Além disso, discutiu-se a
necessidade de arrecadar fundos a partir da
reversão salarial, o que iria garantir o
funcionamento do sindicato.
A trajetória do Sinsep/Js
foi marcada, também, por discussões
políticas, sociais e econômicas mais amplas,
isto é, por sua participação em debates que
iam além da estreita esfera municipal, tais
como no Fora Collor e no seu impeachment;
combate ao liberalismo econômico; eleições
estaduais e nacionais, as mentiras do real,
condenando e denunciando atitudes e ações do
governo FHC (desemprego, salário mínimo etc)
e sua submissão ao FMI (Fundo Monetário
Internacional), dia internacional da mulher,
massacre dos trabalhadores sem terra em
Eldorado de Carajás, no dia 17 de maio de
1996, “comemorações” em torno do Primeiro de
Maio, teve participação efetiva na criação
do CDH/JS (Centro de Direitos Humanos de
Jaraguá do Sul), esteve ao lado dos
comerciários em sua luta pelo fim do
trabalho aos domingos e prestou
solidariedade aos ex-trabalhadores da
Jaraguá Frabril/Guaratex, que foram
demitidos e não tiveram seus salários e
demais verbas rescisórias pagas em 1998, na
criação da Farmácia dos Sindicatos, em julho
de 1998, iniciativa que visa reduzir os
custos na compra de medicamentos, denúncia
das condições de vida de pessoas que moram
pelas ruas de Jaraguá do Sul, as condições
do transporte coletivo de Jaraguá do Sul
(incluindo o preço da passagem),
solidariedade ao MST (entregando roupas e
comida para assentados) e aos moradores das
proximidades da Br 280 (Guaramirim) e saída
para Corupá, discutiu as ações e políticas
do governo Amim contra os catarinenses,
principalmente os funcionários públicos,
discutiu os processos eleitorais nacional e
estadual, apresentando posições claras e
defendendo os trabalhadores, os servidores,
enfim, todo o povo brasileiro, condenou as
privatizações, esteve presente na Marcha dos
100 mil em Brasília, realizada no dia 26 de
agosto de 1999, maior manifestação já
realizada contra o governo FHC e suas
políticas neoliberais, e na Marcha contra a
corrupção, do dia 27 de junho de 2001,
participou ativamente do Grito dos
Excluídos, que aconteceu no dia 6 de
setembro de 2001, discussão em torno das
inúmeras obras eleitoreiras levadas a cabo
por Irineu Pasold para se eleger prefeito em
2000, questões que foram discutidas em seus
boletins. E mais: esteve atento aos
problemas do INSS, ao problema do Hospital
Municipal Santo Antônio, de Guaramirim...ao
lado dos servidores quando lhes foi cortado
o vale-transporte (governo Durval Vasel)...
denunciando irregularidades, como no caso da
Vereadora Marilze D. Marquardt, que em
agosto de 1993 trocou o PMDB pelo PTB
(partido do então prefeito Durval Vasel) e
em setembro recebeu salário pago pela
prefeitura no valor de CR$ 98 mil.
Ele esteve, também, sempre
atento para todas as questões que diziam
respeito aos servidores, e todas as
oportunidades se colocou à disposição dos
mesmos, garantindo assessoria jurídica em
casos como a entrada na justiça, em 1992,
para conseguir reajuste no FGTS; dos
servidores que entraram na justiça em 1992
para garantir pagamento de insalubridade e
periculosidade (causa ganha em julho de
1999). Porém, a prefeitura não entendeu
assim e recomendou à Procuradoria que
impugnasse os valores, alegando erro na
perícia.
O ano de 93 começa com um
novo governo no poder. Eram os tempos do
Durval Vasel. No seu primeiro boletim
daquele ano, o Sinsep/Js reafirmava sua
disposição inicial: “continuar a luta em
defesa dos direitos dos servidores,
continuar a luta por melhores condições de
trabalho, democracia, respeito ao Servidor e
salário”. Em relação à questão da
democracia, uma das lutas do Sinsep/Js foi a
por eleições diretas para os diretores das
escolas públicas municipais, o que não foi
conseguido até hoje, por se tratar, na
mesquinha visão dos prefeitos, de um espaço
de manutenção de sua autoridade na educação,
isto é, ele indicam que eles querem e
conseguem, assim, afirmar sua posição de
poder nas escolas, nas comunidades. Diante
disso, essa é um luta que não foi abandonada
e está sempre na pauta do Sinsep/Js.
Denúncias: chefes
autoritários, escolas sem condições, salas
superlotadas, falta de segurança no
trabalho, falta de diálogo da prefeitura e
seus secretários com o Sinsep/Js..... abusos do
poder.... problemas com os professores do
supletivo (em abril de 1993)...nepotismo de
alguns prefeitos (principalmente Durval
Vasel – conforme boletim 1, de agosto de
93)... falta de condições no transporte dos
servidores de obras...benefícios privados
dos cargos públicos, como foi o caso do
então secretário Irineu Pasold em relação às admissões e
demissões, cujos exames deveriam ser feitos
em seu laboratório de análises clínicas...
demissão de servidores sindicalizados, não
pagamento de verbas rescisórias....
servidores que passavam fome nas obras, que
não tinham horário definido para almoço e
nem lugar para comer...empréstimo da
prefeitura junto ao Issem (Instituto de
Seguridade do Servidor Municipal) no valor
de R$ 1 milhão (fevereiro de 1995) para
compra de “maquinário”...discriminação
contra trabalhadores idosos...
irregularidades nos contratos dos Act
(Admitidos em Caráter Temporário)...
merendeiras tendo que limpar banheiros...em
março de 1996 foi instalado, oficialmente, o
Disk-denúncia...troca arbitrária de
horários, chefias autoritárias, informações
desencontradas, aumento abusivo dos salários
dos secretários e arrocho salarial para os
servidores... (administração Geraldo
Werninghaus). Aliás, o mesmo prefeito
recebeu, em 1998, o Prêmio Porco concedido
pela Feec (Federação de Entidades
Ecologistas Catarinenses), pelo descaso com
o meio ambiente (o mesmo prêmio que foi
concedido a FHC no mesmo ano).. denúncias
das péssimas condições de trabalho em outras
prefeituras...discutiu a questão do Centro
de Reciclagem (o lixão)...discutiu a questão
dos acidentes de trabalho e da LER (Lesão
por Esforço Repetitivo), em seminários...
Apitaço: diante das
insistentes negativas do prefeito Durval
Vasel em atender os servidores, estes
promoveram uma manifestação: o chamado “apitaço”.
O fato aconteceu no dia 19 de agosto de
1993, quando o prefeito iniciou um discurso
no Ginásio Arthur Muller por ocasião da
abertura da fase regional dos Joguinhos
Abertos de Santa Catarina. De todo o seu
discurso, apenas a frase “jovens atletas”
foi ouvida. O resto do discurso foi abafado
pelos som de apitos trazidos por
manifestantes e também pelos presentes, que
aproveitaram para vaiar sistematicamente o
prefeito. Além dos apitos, os servidores
levaram faixas e cartazes contra o prefeito
e seus secretários.
Jornal Tribuna Popular: 93:
esteve ao lado dos servidores, publicando
matérias assinadas ou divulgando notícias. A
favor da permanência de Luiz César no
sindicato; contra a falta de negociação por
parte da prefeitura; contra as
perseguições...; dando ampla cobertura para
o Dia de Paralisação (9 de Junho de 1993).
O Sinsep/Jaraguá do Sul
sempre esteve atento também aos debates
travados na Câmara de Vereadores de Jaraguá
do Sul, pois entendia (e entende) que muito
do que lá acontece diz respeito diretamente
aos servidores. São vários os exemplos
disso. Em março de 93 acompanhamos a
discussão sobre o Projeto de Reajuste
Salarial e a criação de um Plano de Cargos e
Salários; em março de 94 esteve presente nas
discussões sobre a implantação do Plano de
Cargos e Salários, denunciando os seus
inúmeros problemas.
Reivindicações dos
professores: elevação do piso salarial,
recuperação das perdas salariais,
hora-atividade, gratificação por regência de
classe, valorização dos professores que
lecionam em escolas multisseriadas,
valorização das serventes, merendeiras e
vigias, melhores condições de ensino, menor
número de alunos em sala de aula.
O mês de Junho de 1993 foi um
dos mais importantes da história do Sinsep/Jaraguá
do Sul. No dia 9 daquele mês foi feita uma
paralisação de todas as atividades da
prefeitura em defesa dos servidores, apesar
de todos os esforços da prefeitura de
esvaziar o movimento. Durante todo o dia os
servidores estiveram reunidos em assembléia
permanente do Sinsep/Js, onde discutiram
diversas questões que lhe diziam respeito.
Entre elas reajustes salariais, valorização
do servidor público, diálogo com a
prefeitura...por falar em diálogo, no dia 9
o prefeito e cinco de seus secretários se
encontravam pescando no pantanal do Mato
Grosso. O dia terminou com uma passeata
pelas principais ruas da cidade e uma
conversa com algumas pessoas ligadas ao
prefeito.
Para a prefeitura e para a
imprensa de maneira geral, a paralisação foi
um verdadeiro fracasso, pois dela
participaram poucos servidores e as escolas
tiveram aula normalmente. Muitos dados,
contudo, mostram que as coisas não
aconteceram exatamente assim. Se é verdade
que poucos servidores participaram da
paralisação, isso se deu em função de todo
um aparato preparado pela prefeitura para
colocar medo nos servidores, como as ameaças
de demissão e de desconto de dois dias. Além
disso, houve uma tentativa da prefeitura,
que partiu do secretário geral, José B. de
Campos, de se filmar a assembléia para fins
de pressões futuras.
As escolas que funcionaram
normalmente, assim o fizeram, mas não teve
aula. Exemplo disso foi que nas escolas
Jonas Alves de Souza, Anna Towe Nagel,
Cristina Marcatto, Rodolfo Dornbusch,
Alberto Bauer (supletivo) e Guilherme
Hannemman, os alunos apenas ficaram na
escola jogando bola, comendo pirulito,
assistindo vídeos etc. Porém, a vitória
maior foi ter mostrado para toda a cidade
que o prefeito não valorizava os servidores,
que ele estava pescando ao invés de estar
preocupado com a cidade, que ele não
reconhecia o Sinsep/Js; mais
coisas....muitos professores, com medo de
serem demitidos, trabalharam de luto, o que
também evidenciou solidariedade para com o
movimento. E mais, a paralisação vinha sendo
discutida desde o início do mês de maio de
1993, o que nos permite entender que houve
uma verdadeira campanha de conscientização
dos servidores em relação a toda a situação
da prefeitura.
Reivindicações: (agosto de
93): reposição todas das perdas (39,96%),
reajuste mensal, de acordo com a inflação;
data-base; democracia no serviço público,
implantação do Plano de Cargos e Salários e
regime Único com participação dos
servidores, eleição direta para diretores de
escolas e creches como forma de aprofundar o
processo democrático e participativo nas
escolas da rede municipal.
Muitas delas continuaram
sempre presentes ao longo do tempo, ao longo
de outras administrações...participação
efetiva dos servidores no Issem.
No início do ano de 1993 (9
de dezembro) aconteceram eleições para a
direção do Sinsep/Js. Ao longo de sua
história, essa foi a mais acirrada, pois
concorreram nela dois candidatos, sendo um
deles francamente apoiado pelo prefeito
municipal, Durval Vasel. Todo o processo
eleitoral foi marcado por ameaças e
perseguições por parte da prefeitura. No
final, a chapa liderada por Luiz César
Schörner venceu as eleições com uma
diferença de 178 votos, mostrando para toda
a sociedade, para a prefeitura e para os
servidores que as lutas iriam continuar.
Entre os principais eixos de luta, estavam
os seguintes: o aumento no número de
sindicalizados, a formulação de uma política
salarial, a conquista da data-base e a
organização por local de trabalho.
Filiações ao Sinsep/Js: luta
por melhores condições de trabalho e salário
para os servidores, informações permanentes
sobre o que diz respeito ao servidores,
fiscalização sobre o emprego do dinheiro
público, assessoria jurídica trabalhista ao
servidor, homologações das rescisões dos
contratos de trabalho, convênios (médicos,
dentistas, laboratórios etc).
Cursos: como funciona a
sociedade, comunicação e expressão...1994;
Seminário de Planejamento, que definiu
diversas formas de mobilização, no dia 20 de
março de 1999; seminário de planejamento
(dia 17 de março de 2000).
Servidores do Samae no Sinsep/Js:
março de 1994...47 servidores...que desde
outubro de 93 faziam parte da base do Sinsep/Js.
Quando foi implantado o
Regime Jurídico na prefeitura, muitos
servidores não optaram e permaneceram celetistas. Isso gerou uma diferenciação
salarial muito grande e a prefeitura se
negava a fazer a equiparação. Em razão
disso, no dia 15 de agosto de 1994 aqueles
servidores iniciaram uma greve que durou
vários dias. Foram cerca de 200 servidores em
greve nesse período...esses dias foram
extremamente significativos para o Sinsep/Js,
pois reafirmou sua condição de verdadeiro
defensor dos interesses dos servidores, seja
qual for a situação em que se encontram.
Outro fato marcante daqueles dias foi a
“inauguração” da Praça da Fome e da Miséria,
que tinha sido construída por muitos dos
servidores em greve, hoje denominada Praça
Ângelo Piazeira.
Como resultado da greve do
dia 15, todos os servidores tiveram um
aumento de 15% em seus salários e o Sinsep/Js
iniciou uma campanha jurídica pela
equiparação (ingresso de ações coletivas
contra a prefeitura exigindo a equiparação).
Isso de fato aconteceu no dia de fevereiro
de 1995, quando a Câmara de Vereadores de
Jaraguá do Sul aprovou a equiparação
salarial entre servidores celetistas e
estatutários.
O ano de 1994 também foi
importante porque marcou o início da
extensões de base. O primeiro município a se
juntar aos servidores jaraguaenses foi o de
Guaramirim, que depois de uma greve
conseguiram um aumento de 37% em seus
salários. A assembléia que decidiu isso foi
feita no dia 12 de agosto de 1994 e contou
com a presença de aproximadamente 100
servidores. Depois vieram os servidores de
Corupá (6 de novembro de 1995), cuja
sub-sede foi inaugurada em junho de 1996,
Schroeder (que teve sua coordenação criada
em abril de 1999) e Massaranduba. Ver a
ordem...a assembléia que determinou a
extensão foi realizada no dia 12 de novembro
de 1994 e desencadeou uma série de ações com
o objetivo de equiparar salários dos
diversos municípios, conseguir o Estatuto do
Magistério. Por exemplo. Em março de 1995 o
piso salarial de um servidor de Jaraguá do
Sul era de R$ 212,00 e o de Guaramirim era
de R$ 157,00. Além disso, esses municípios
começaram a lutar por sua Convenção Coletiva
de Trabalho, ampliando e garantindo
direitos.
Em março de 1996 o Sinsep/Js
começou a descentralizar o atendimento aos
servidores daqueles municípios. Entre os
principais serviços prestados, estão/estavam
o de orientação em relação aos seus direitos
e deveres e de encaminhar para as devidas
medidas casos de não-cumprimento dos
direitos. Além disso, buscava levar a todos
os servidores a atuação do sindicato.
Em fevereiro de 1995 o
professor Stélio João Rodrigues assumiu a
presidência do
Sinsep/Js, dando razão à proposta da
diretoria eleita em 1993 de realizar um
rodízio na sua direção.
Em busca de uma central
combativa. No mês de novembro de 1995, o
Sinsep/Js promoveu um seminário sobre
Central Sindical e Reforma administrativa,
que contou com a participação de servidores
de Chapecó. A idéia de seminário era debater
questões referentes à reforma administrativa
encaminhada por FHC e debater a filiação do
Sinsep/Js à uma central sindical.
Dezembro de 1995:
sindicalização dos servidores da Codejas
(Companhia de Desenvolvimento de Jaraguá do
Sul) ao Sinsep/Js. São cerca de 200
servidores que estão oficialmente
representados pelo Sinsep/Js.
Início de 1996: propostas
encaminhada para a prefeitura:
vale-transporte (que foi instituído em abril
de 1996), instituição do mês de maio como
data-base da categoria, reativação da Cipa
(Comissão Interna de Prevenção de
Acidentes), cesta básica aos servidores,
adicional de 40% aos servidores que
trabalham em áreas insalubres, 70% de
acréscimo sobre as horas-extras.
No ano de 1996 o Sinsep/Js
conquista mais um espaço de atuação: a
participação de seus membros no Issem
(Conselho Deliberativo – Stélio João
Rodrigues – e Conselho Fiscal – Dionei
Walter da Silva).
O mês de agosto de 1996 é
marcado por uma ampla mobilização do Sinsep/Js,
agora em torno da defesa do Issem contra a
prefeitura, que tinha mandado um projeto de
lei em caráter de urgência para a Câmara de
Vereadores com vistas a modificar a
estrutura do Issem e criar o Fundo Municipal
de Previdência Social, passando à prefeitura
o dinheiro arrecadado com a área
previdenciária. Entre outras coisas, a
prefeitura pretendia resolver o problema do
calote previdenciário que estava dando no
Issem, ou seja, desde março daquele ano ela
não repassava a contribuição patronal de 14%
para o instituto e desde maio ela
descontava, mas não repassava os 12% de
contribuição do servidor.
Diante disso, o Sinsep/Js dá
início à uma ampla campanha de mobilização,
que incluía assembléias e acompanhamento das
seções da Câmara dos Vereadores, que iriam
votar o projeto. Na primeira votação, dia 9
de setembro, o projeto foi votado e aprovado
por 7 votos a 6. contudo, o “grande” dia
ainda estava por vir. O dia 12 de setembro
foi marcado pela “invasão” da Câmara de
Vereadores por cerca de 200 servidores,
lideranças sindicais e populares. Em função
disso, a polícia militar foi chamada para
garantir a segurança dos vereadores (sic).
De uma lado os servidores e seus protestos
contra os vereadores que se propunham a
votar o projeto, de outro a polícia fazendo
o seu papel de repressão, jogando,
inclusive, gás lacrimogêneo sobre os
presentes como forma de garantir que a seção
acabasse em ordem, isto é, de acordo com
aquilo que o prefeito queria, como de fato
aconteceu, o que permitiu à prefeitura se
apossar de cerca de R$ 5 milhões. Os
vereadores que votaram a favor do projeto
foram: Rosemeire Vasel, Afonso Piazera Neto,
Adalberto Franckoviak, Evandro Tomazini
Liscano, Luiz Zonta, Marilze Marquardt,
Rodolfo Guesser (todos do PTB) e José Ramos
de Carvalho, do PPB. Contrários ao projeto
votaram Augusto Muller (PFL), Flávio
Hornburg (PMDB), Gilmar Menel (PPB), Paulo
Ademir Floriani (PPB), Pedro Garcia (PMDB) e
Wigando Mayer (PPB).
Em relação à isso, é
importante que se diga que o Sinsep/Js
entrou com uma ação contra a prefeitura
municipal, que foi condenada a devolver o
dinheiro no final do ano de 1998 por decisão
do TCE (Tribunal de Contas do Estado).
Contudo, tal fato só se efetivou em janeiro
de 2000.
Em 29 de novembro de 1996
Stélio João Rodrigues é eleito presidente do
Sinsep/Js, com 95% dos votos válidos.
A nova diretoria foi renovada em 70% e entre
suas propostas de luta estavam: a
reestruturação das Cipas,
eleição direta para diretor de escola e
creche e revisão dos Estatutos Dos
servidores públicos municipais, além da
administração participativa no
Issem.
Em 1997 o prefeito era
Geraldo Werninghaus (PFL) e as coisas não
mudaram, ou seja, o desrespeito aos
servidores e ao Sinsep/Js continuou, como
denunciou o boletim nº. 52 de fevereiro de
1997. ou, ainda, a negativa em receber os
servidores para negociar a pauta de
reivindicações protocolada na prefeitura no
dia 24 de abril de 1996.
Nunca conseguimos liberação
do presidente do Sinsep/Js...autoritarismo,
despotismo, criando empregos para chefes sem
subordinados, pagando chefias a setores que
sequer existem, transferindo a prefeitura
para longe do centro, obrigando servidores a
gastar mais com transporte e alimentação,
imposições toda ordem, não admitindo
oposições e nem divergências, secretários
que não atendiam os servidores, controle
sobre os vereadores: essas foram as marcas
do governo Werninghaus e Irineu Pasold
(PSDB).
Irineu: mesma postura como
prefeito eleito...se negava/nega a atender
os servidores (a não ser quem eles querem
que vão à audiência)...
Pauta protolocada na
prefeitura no início do governo Irineu
Pasold e não atendida: nem teve audiência:
abertura de negociação permanente,
liberações de dirigentes sindicais,
reformulação do Estatuto do ISSEM,
reformulação do Estatuto dos Servidores e do
Magistério, ponto facultativo, imposto
sindical e aposentados...
A insistência do prefeito
Pasold em não negociar, em não receber o
Sinsep/Js, desencadeou uma campanha
denominada "Eu quero falar com o prefeito",
onde todos os servidores ligariam para a
prefeitura e pediriam uma audiência. A
campanha surtiu efeito e a audiência foi
marcada para o dia 14 de maio de 1999, na
qual foram discutidos os diversos pontos
apresentados na pauta protocolada no início
do governo Pasold.
Sindicalizações: 50% da
categoria estava sindicalizada em dezembro
de 1998.
Denunciando os diversos
“trens da alegria” promovidos por vários
prefeitos municipais...(Vasel e Pasold,
principalmente) e os funcionários fantasmas,
tal como no caso Amandus Klabunde, em agosto
de 1993.
Eleições do dia 25 de
fevereiro de 2000: Idinei Petry, a Nei,
presidente...a chapa única foi eleita com
96% dos votos válidos...
Atualmente está participando
ativamente, através de seu diretor Rogério
Luís Muller, do Conselho de Administração do
Fundo Municipal de Previdência Social,
contribuindo, assim, para impedir que a
prefeitura privatize o fundo.
(Revisão e atualização em
andamento)
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