“Um
movimento de centenas de
vadios, de vagabundos da
vida.” Esta foi a
definição do jornalista
Luiz Carlos Prates sobre
a campanha nacional pela
redução da jornada de
trabalho, no programa
Jornal do Almoço,
exibido pela RBS no dia
17/02/2010.
Com esta
e outras declarações do
tipo, o jornalista
insulta publicamente
todos os homens e
mulheres que
cotidianamente lutam por
avanços nos direitos da
classe trabalhadora em
busca de uma sociedade
justa, solidária e
igualitária. Não
bastando os insultos
lançados ao ar, Prates
expressa sua total
ignorância quanto a
matéria tratada, ao
afirmar que a redução da
jornada de trabalho de
44 para 40 horas
semanais não gerará os
postos de trabalho
pretendidos, analisando
a questão apenas sob a
ótica empresarial.
Raivoso,
Prates insulta ainda os
trabalhadores
desempregados afirmando
que “se estão nesta
condição é porque não
têm qualificação ou
falta-lhes ânimo para o
trabalho” e finaliza
dizendo que “se não
houver reação por parte
do empresariado e dos
investidores -
responsáveis pelo país
ainda estar de pé, o
atual governo quebra o
Brasil”.
A CUT,
que representa milhões
de trabalhadores e
trabalhadoras no Brasil,
lamenta que pensamentos
como estes, refletidos
pelo pensamento de ódio
e discriminação das
elites em relação aos
trabalhadores e aos
movimentos sociais,
ainda se perpetuem em
pleno século XXI e
continuem a ser
disseminados pelos
veículos de comunicação.
Não é
preciso ir muito longe
para constatarmos que
estas manifestações são
de tempos em tempos
recorrentes. Em 1988,
ano em que a jornada
semanal de trabalho foi
reduzida
constitucionalmente de
48 para 44 horas
semanais, representantes
das elites conservadoras
e reacionárias
esbravejaram que a
redução significaria uma
tragédia para o Brasil,
como fez Luiz Prates na
RBS. Porém, nada
aconteceu em decorrência
da jornada menor, e é
fato comprovado que os
problemas econômicos que
o Brasil enfrentou nos
períodos seguintes, em
nada tiveram ligação com
as 44 horas.
Obviamente, que
declarações como estas,
feitas por pessoa que
desconhece a luta dos
trabalhadores pela
melhoria da sociedade,
busca ocultar os reais
benefícios da redução de
jornada proposta pelos
trabalhadores, que trará
para a maioria da
sociedade e para
desenvolvimento
econômico do Brasil. A
qualificação
profissional atacada
pelo comentarista é
justamente um dos
benefícios que será
conquistado com a
redução da jornada
semanal. Atualmente, as
extensas jornadas não
permitem isso. Basta
analisar o caso do setor
de comércio e serviços,
onde a média semanal é
de até 56 horas em São
Paulo, segundo o Dieese.
A
aprovação das 40 horas
semanais trará ainda
melhorias nas condições
de saúde e segurança do
trabalhador, tornando
menos exaustiva a
jornada de trabalho,
reduzindo o número de
acidentes causados em
função das jornadas
extensas, intensas e
imprevisíveis, que levam
ao estresse, depressão,
hipertensão, distúrbios
no sono e lesão por
esforços repetitivos,
por exemplo. Nada disso
foi analisado pelo
comentarista.
Outro
aspecto importante que
deve ser considerado
neste debate é o fato
dos custos com salários
no Brasil serem muito
baixos, se comparados a
outros países. Portanto,
a redução da jornada não
traria prejuízos à
competitividade das
empresas, já que a
diferença está
relacionada a outros
fatores, como por
exemplo, financiamento,
educação e qualificação
profissional, pesquisa,
desenvolvimento
tecnológico,
infra-estrutura entre
outros.
A redução
da jornada de trabalho
sem redução de salários,
além de gerar mais de 2
milhões de empregos,
como demonstram os
estudos e pesquisas do
Dieese, também
possibilitará a
melhoraria da qualidade
de vida, já que os
trabalhadores/as terão
mais tempo para o
convívio familiar, para
o lazer, para atividades
sociais e culturais tão
importantes para a vida
e para o país que se
desenvolverá ainda mais
com o aumento do consumo
e da produção.
Portanto,
trata-se de uma luta
hegemônica, de evidente
luta de classes que a
elite conservadora
acirra ainda mais neste
ano de eleições, na
tentativa de impedir a
continuidade do projeto
democrático-popular
iniciado no atual
governo e aprovado pela
maioria da população. De
um lado está esta elite,
defensora dos interesses
de parte dos empresários
– representantes do
retrocesso, do lucro a
todo custo, da não
distribuição de renda –
e, de outro, os
movimentos sociais
organizados,
representando os
interesses dos
trabalhadores e das
trabalhadoras, das
pessoas que de fato
constroem o país e de
todos os que lutam por
uma sociedade justa,
igualitária, com
distribuição de renda,
trabalho e direitos.
CUT –
Santa Catarina
Florianópolis, 10 de
março de 2010