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11.03.2010

  CUT–SC repudia as declarações do comentarista da 
  RBS – Luiz Carlos Prates - contra os trabalhadores

“Um movimento de centenas de vadios, de vagabundos da vida.”  Esta foi a definição do jornalista Luiz Carlos Prates sobre a campanha nacional pela redução da jornada de trabalho, no programa Jornal do Almoço, exibido pela RBS no dia 17/02/2010.  

Com esta e outras declarações do tipo, o jornalista insulta publicamente todos os homens e mulheres que cotidianamente lutam por avanços nos direitos da classe trabalhadora em busca de uma sociedade justa, solidária e igualitária. Não bastando os insultos lançados ao ar, Prates expressa sua total ignorância quanto a matéria tratada, ao afirmar que a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais não gerará os postos de trabalho pretendidos, analisando a questão apenas sob a ótica empresarial. 

Raivoso, Prates insulta ainda os trabalhadores desempregados afirmando que “se estão nesta condição é porque não têm qualificação ou falta-lhes ânimo para o trabalho” e finaliza dizendo que “se não houver reação por parte do empresariado e dos investidores - responsáveis pelo país ainda estar de pé, o atual governo quebra o Brasil”. 

A CUT, que representa milhões de trabalhadores e trabalhadoras no Brasil, lamenta que pensamentos como estes, refletidos pelo pensamento de ódio e discriminação das elites em relação aos trabalhadores e aos movimentos sociais, ainda se perpetuem em pleno século XXI e continuem a ser disseminados pelos veículos de comunicação.  

Não é preciso ir muito longe para constatarmos que estas manifestações são de tempos em tempos recorrentes. Em 1988, ano em que a jornada semanal de trabalho foi reduzida constitucionalmente de 48 para 44 horas semanais, representantes das elites conservadoras e reacionárias esbravejaram que a redução significaria uma tragédia para o Brasil, como fez Luiz Prates na RBS. Porém, nada aconteceu em decorrência da jornada menor, e é fato comprovado que os problemas econômicos que o Brasil enfrentou nos períodos seguintes, em nada tiveram ligação com as 44 horas.  

Obviamente, que declarações como estas, feitas por pessoa que desconhece a luta dos trabalhadores pela melhoria da sociedade, busca ocultar os reais benefícios da redução de jornada proposta pelos trabalhadores, que trará para a maioria da sociedade e para desenvolvimento econômico do Brasil. A qualificação profissional atacada pelo comentarista é justamente um dos benefícios que será conquistado com a redução da jornada semanal. Atualmente, as extensas jornadas não permitem isso. Basta analisar o caso do setor de comércio e serviços, onde a média semanal é de até 56 horas em São Paulo, segundo o Dieese.  

A aprovação das 40 horas semanais trará ainda melhorias nas condições de saúde e segurança do trabalhador, tornando menos exaustiva a jornada de trabalho, reduzindo o número de acidentes causados em função das jornadas extensas, intensas e imprevisíveis, que levam ao estresse, depressão, hipertensão, distúrbios no sono e lesão por esforços repetitivos, por exemplo. Nada disso foi analisado pelo comentarista.

Outro aspecto importante que deve ser considerado neste debate é o fato dos custos com salários no Brasil serem muito baixos, se comparados a outros países. Portanto, a redução da jornada não traria prejuízos à competitividade das empresas, já que a diferença está relacionada a outros fatores, como por exemplo, financiamento, educação e qualificação profissional, pesquisa, desenvolvimento tecnológico, infra-estrutura entre outros.

A redução da jornada de trabalho sem redução de salários, além de gerar mais de 2 milhões de empregos, como demonstram os estudos e pesquisas do Dieese, também possibilitará a melhoraria da qualidade de vida, já que os trabalhadores/as terão mais tempo para o convívio familiar, para o lazer, para atividades sociais e culturais tão importantes para a vida e para o país que se desenvolverá ainda mais com o aumento do consumo e da produção.  

Portanto, trata-se de uma luta hegemônica, de evidente luta de classes que a elite conservadora acirra ainda mais neste ano de eleições, na tentativa de impedir a continuidade do projeto democrático-popular iniciado no atual governo e aprovado pela maioria da população. De um lado está esta elite, defensora dos interesses de parte dos empresários – representantes do retrocesso, do lucro a todo custo, da não distribuição de renda – e, de outro, os movimentos sociais organizados, representando os interesses dos trabalhadores e das trabalhadoras, das pessoas que de fato constroem o país e de todos os que lutam por uma sociedade justa, igualitária, com distribuição de renda, trabalho e direitos.

CUT – Santa Catarina 
Florianópolis, 10 de março de 2010

 

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